sábado, 1 de agosto de 2020

Deixa eu te contar

- Então deixa eu te fazer uma pergunta. Você já sentiu saudades de alguma coisa que nunca viveu? Ou teve a impressão de que já viveu algum momento quando, na verdade, você sabe que não? As vezes isso acontece comigo. As vezes me percebo com saudades de momentos que nem sei descrever. As vezes sinto uma nostalgia. As vezes tenho esses pensamentos de saudades que nem parece que são meus. E em minha mente eu lembro de cenas que sei que nunca vivi. Isso seria estranho de mais para você? Pois é. Para mim também. E eu paro e começo a pensar o que pode ter acontecido para esses pensamentos e sensações começarem. E é difícil encontrar a resposta exata. Mas posso te dizer uma coisa. Acontece quando deixo minha mente viajar, livre e sem amarras. Nos mais inesperados momentos. Ontem, por exemplo, foi no ônibus, na volta para casa. Eu estava ouvindo uma música. Alto de mais em meus ouvidos. E que me trouxe tantas lembranças inesperadas. E tantos sentimentos juntos. Tantas saudades que já conheço. Mas então, teve aquela sensação de nostalgia e saudade que não soube entender. O que seria isso? Da onde vem? Na verdade, esse foi um sentimento que há muito tempo não sentia. Ou que já havia esquecido. Acho que descrever aqui não é possível. Mas, você está entendendo? Acho que não. Foi como se sentir triste de mais e feliz de mais ao mesmo tempo. Foi como ser surpreendido com uma notícia boa e ao mesmo tempo uma ruim. Foi calor e frio. Complicado e simples. Mas foi assim, uma dualidade de sensações. Confesso, derrubei uma lágrima nessa hora. Talvez duas. Enfim, não pude contar. Sei que isso é difícil de entender. Mas veja bem, eu queria mesmo era deixar isso registrado. Contar para alguém. Porque eu não sei bem de onde vem isso. Mas sabe, queria dizer também que ultimamente tenho ficado nesse estado mais reflexivo. E isso intensifica minhas emoções. Mas entender tudo isso talvez não seja necessário agora. Enfim, só queria te contar. Por enquanto, sigo contemplando essas emoções. Sensações. Saudades e sentimentos. Como se observasse pela janela de meus pensamentos. 


sábado, 25 de julho de 2020

Aquela viagem

- Já faz um tempo que estou imersa em meus pensamentos sobre esse assunto. Eu sei que ainda não acabou. Mas já sei que muita coisa mudou. Sim, estou falando dessa viagem que fiz. Dessa viagem que estou vivendo. Na verdade, já fazem 6 meses. Com uma pandemia no meio. Se eu imaginava? Não. Ninguém imaginava. Como poderíamos. Mas não, não estou levando isso em consideração para escrever aqui hoje. Na verdade estou levando em consideração somente os pensamentos que estão em minha mente nesse momento e que já são muitos. E quando eles se acumulam assim, eu preciso escreve-los. E eu sei que ainda não acabou. Mas quero falar hoje do que já aprendi. Do que já vivi. Estar assim longe de tudo o que chamo de rotina, já me fez ver algumas coisas e pensar sobre algumas outras. Me percebi mais. Me senti mais. Passei mais tempo em silêncio olhando e aprendendo. Observando. Percebendo. Na verdade, eu passo muito tempo em silêncio. Em minhas horas vagas, andando e pensando. Estar assim tanto tempo comigo mesma me fez sentir mais. Sentir diferente. Sentir de um jeito que a rotina do dia a dia já não me permitia. Tudo isso me tirou de uma zona de conforto a tempos estabelecia e construída. Uma zona de conforto que, confesso, não queria sair. Ou não achava que seria tão difícil sair. Não era ruim, era somente, confortável. Mas sair assim, mudar assim, ir para tão longe assim trás tantas coisas novas. E muda muita coisa que já estava ali. Acostumado. E passei a sentir tudo diferente. Os sentimentos antigos são mais intensos. Eu eu passei a amar mais. E eu passei a sentir mais saudades. Na verdade, eu passei a sentir mais qualquer coisa. Escutar uma música tem outro significado. Andar pelos caminhos tem outro significado. Sentir o vento, a chuva, os dias passando, tem outro significado. Tudo é novo e antigo ao mesmo tempo. E as sensações são diferentes e são as mesmas. São as antigas sensações intensificadas. Melhoradas. Novas, talvez. Ainda não acabou mas já consigo entender que não posso mais voltar a ser mesma. Ainda não acabou, mas já sei que as mudanças que esse tipo de experiência trás são inevitáveis. Esse tipo de coisa muda internamente tanta coisa. Faz um furacão. Uma bagunça. Deixa tudo a flor da pele. Me fez dar valor a pequenas coisas. Me fez dar valor a coisas antigas. A lembranças, sentimentos, reflexões. Um dia me disseram que a maior mudança "depois dessa viagem" seria em mim. E eu não soube o que isso queria dizer. Agora, mesmo antes de acabar, eu sei. Eu talvez esteja ficando um tanto repetitiva aqui. Porque realmente é difícil de explicar. Nada mudou, mas tudo mudou. Eu ainda sou a mesma. Mas não sou mais. E eu amo ainda as mesmas coisas, pessoas, momentos. Mas de um forma tão diferente. Mas de um forma tão igual. Talvez seja um pouco difícil de escrever. O que eu quero dizer, é que é necessário esse tipo de viagem. É necessário sentir esse choque. Esse baque. Essa mudança. E o que eu quero dizer é que, se houver a oportunidade, vá. Saia. Viaje. Não perca. Não tenha medo. Ou tenha, mas vá assim mesmo. A vida dentro da gente precisa se renovar. O nosso universo pessoal precisa se abrir. Os horizontes aumentar. E você vai saber que pode mais. Que é mais forte. Que consegue mais. E quando eu fecho os olhos, sei que continuo a mesma. E quanto fecho os olhos sei que estou diferente. Enfim, pode ter ficado difícil esse texto cheio de contradições. Mas é difícil explicar o que no momento, só sei sentir. 

sábado, 4 de julho de 2020

Pequenas sensações


- Eu me lembro de entrar no ônibus e ir me sentar no último banco da fileira de trás. Eu me lembro que o calor era sufocante e eu não conhecia a cidade. Tentava me lembrar das explicações que tinham me dado. Onde deveria descer, para deveria onde andar, como contar as ruas que eram mais conhecidas por números ao invés de nomes. Repetia algumas dessas informações em minha mente, mas em questão de minutos já tinha esquecido tudo. Me perdia olhando a cidade pela janela e ouvindo qualquer música que tocava em meu mp3. O caminho até minha casa era um pouco longo. Uma parte de ônibus e uma parte do caminho a pé. Envolvida em meus pensamentos, observava as pessoas entrar e sair do ônibus em suas já tão conhecidas rotinas. E eu, primeira vez em quase tudo naquela semana, tentava fingir que estava acostumada a tudo aquilo, também. Tudo era tão diferente de minha cidade natal. Não reconhecia as ruas, nem as avenidas, nem os lugares que precisava ir. Não sabia os caminhos e os pontos de referência, mas sabia que era questão de tempo aprender. Na verdade, o desejo de sair de casa, morar em outra cidade, fazer faculdade fora e não morar mais com os pais era tanto, que quase não reclamava e quase não ligava para as pequenas dificuldades do dia a dia. Eu tinha na verdade esse desejo de me provar. E estava indo. Entretida com meus pensamentos e com as ruas e avenidas, imaginei nessa hora que havia perdido o ponto em que deveria descer. Tentei reconhecer algo no caminho, mas não foi possível. Nessa época nossos celulares não eram tão bons para indicar caminhos ou rotas, na verdade, o meu era daqueles modelos bem simples. Talvez só fizesse ligação. Neste susto de perder o ponto de descida, apertei o potão de parada para o próximo ponto. Iria ter que descobrir. Desci. Olhei ao redor. Nada além de casas e mais casas. Não vi de imediato nenhum lugar em que pudesse pedir informações. Enfim, fui caminhando até o final da rua. Fora do ônibus uma brisa leve soprava e amenizava um pouco o calor. Tanto que caminhar se tornou agradável. E eu me senti um tanto feliz e livre. Um quarteirão, dois, três. Encontrei um mercearia. Passei na frente. Ensaiei entrar. Ensaiei a frase que iria dizer. Pensei no ponto de referência que iria usar. Entrei. No balcão, um senhor idoso, de barba e cabelos brancos. Olhos simpáticos. Usava uma boina. Tinha uma caneta na orelha. 
- Boa tarde, moça, está precisando de algo?
- Boa tarde, eu gostaria de uma informação, uhm...preciso ir até e Faculdade de Odontologia no centro. Como faço? 
Ele olhou para mim, deu um sorriso daqueles que entendeu tudo e que viu além do que simplesmente pedi. 
- Vou te mostrar - respondeu. 
Saiu para fora, na calçada. Eu sai atrás. Ele apontou pelo caminho que tinha vindo. 
- Siga em frente por essa rua até o final. Vai ter um ponto de ônibus. Passe por ele, atravesse a rua e siga sempre em frente. Logo você vai avistar a Faculdade. 
Terminou com um sorriso. 
- Precisa de mais alguma coisa? 
Eu, pega de surpresa pela gentileza e pela resposta bondosa, agradeci e segui meu caminho. 
Curiosamente eu estava no caminho contrário do que deveria seguir. Andei na direção oposta, e na verdade, não tinha perdido o ponto de descida. Tinha descido antes. Eu me lembro que a caminhada até minha casa foi muito agradável. Consegui encontrar o caminho de volta e ao me aproximar de meu ponto de referência, já sabia que caminho percorrer. Ali era uma área conhecida. Me lembro de chegar em casa com uma sensação de dever cumprido. De ter conseguido resolver um desses pequenos problemas do dia a dia. Sabia que aos poucos tudo se tornaria rotina. Cotidiano. Comum. Ao deixar a mochila em cima de minha nova cama, em minha nova cidade, senti um pequeno orgulho de mim mesma. Na verdade, esse tipo de aventura era o que sempre quis. Naquela época eu não sabia, mas já estava vivendo meu sonho. Naquela época não sabia, mas a cidade da Laranja iria ser minha casa, parte de minha vida e se tornaria mais conhecida do que poderia imaginar. Naquela época, eu ainda não sabia, mas era só o começo de tudo. 

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Um dia, um beijo

Existe alguns momentos em que fecho meus olhos e imagino que beijo você. Aquele beijo que a gente costuma ver no cinema. Nos filmes. A luz perfeita, de um amarelo meio envelhecido de sol a ofuscar a imagem. O céu, de um azul opaco com poucas nuvens. A trilha sonora com alguma música tocando baixo ao fundo para depois ir subindo o volume conforme a cena avança. E eu, de olhos fechados aqui a imaginar esse beijo. Quase posso sentir você, sua lenta aproximação. Te observo afastar de leve uma mecha de meus cabelos que cobre parte de meu rosto, para e em seguida percorre-lo com a ponta de seus dedos. Olhos fixos. Bocas quase juntas. E eu de olhos fechados aqui, no silêncio de meu quarto, quase posso sentir o seu perfume. Sinto a pele de meu rosto quase tocar o seu, e é como se você estivesse aqui. Chego a sentir o sangue correndo nas veias. O bater do coração. O arrepio frio que percorre em linha reta minhas costas. Nesse momento de quase beijo o tempo para e respira fundo, e em seguida prende a respiração. Não escuto mais a música ao fundo. Escuto o silêncio vibrar em meus ouvidos. E nessa hora, somente posso sentir. Se fosse um filme, a luz amarelada ofuscaria a tela. E o beijo aconteceria. E os lábios se uniriam, leve, doce, urgente. E esse beijo, que não é de cinema e só está acontecendo em minha mente, parece enfim, real. O toque dos lábios. O roçar da pele de seu rosto no meu. Os corpos tão próximos agora. Minha mão em seus cabelos. Mas sei que me encontro aqui, de olhos fechados a imaginar tudo isso. É de propósito que demoro um pouco para abrir meus olhos. Eu demoro, e refaço a cena em minha mente. Repito o beijo. E repito. E repito. Com um leve sorriso sonhador nos lábios. E, de repente, como um sopro ou um breve respirar, eu abro meus olhos. Não, você não está aqui. Você pertence aos meus pensamentos. E gosto quando te sinto assim, tão perto de mim. Não, você não está aqui. Mas mesmo assim, eu beijei você.

sábado, 30 de maio de 2020

Não é tempo de respostas


- Tantas palavras passam em meus pensamentos agora. Sempre foi assim. Em alguns momentos as palavras passam tão rápido. Na velocidade da luz. Só que eu consigo ler suas linhas. Consigo entender as frases que elas formam. E são frases corridas, soltas, que muitas vezes não dão um texto. E eu coloco uma música baixinho. E fecho os olhos na tentativa de conseguir lê-las. E eu respiro fundo e deixo minha mente viajar. E tento olhar para dentro. Só que dentro é um turbilhão de palavras e letras. E eu estou acostumada com isso. E na maioria das vezes só deixo com que elas passem, com suas sombras de frente para meus olhos fechados. Dificilmente organizo isso tudo em textos, porque as vezes não fazem sentido. Porque as vezes são palavras soltas e pensamentos aleatórios. Mas hoje, comecei a pensar que algumas frases soltas faziam algum sentido quando juntas. Mas hoje, desacelerei o pensamento. Mas hoje respirei fundo, sentei aqui. E o som distante da música tocando me fez ver que precisava escrever hoje. Só hoje. Só essas palavras. Acredito que por esses tempos é mais comum olhar para dentro, ao invés de para fora. Até porque em alguns momentos olhar para fora não faz muito sentido. Acredito que nesses tempos querer respostas não faça muito sentido. Faz mais sentido fazer perguntas. Ou não faze-las. Ou se manter em silêncio. Acredito que nesses tempo as palavras dentro de mim estão com mais urgência de sair. E elas cobram que eu as coloque para fora. Mesmo que muitas vezes elas não façam sentido juntas. E o que elas me dizem? Elas me lembram de um tempo que já foi. Elas me trazem de volta o silêncio de minha mesa de estudo no quintal de minha casa da adolescência. Elas me mostram os tantos e tantos cadernos que já risquei com toda a poesia que achava que tinha. Elas me lembram de cheiros, de ruídos, de frases ditas, de frases lidas, de um pôr do sol em minha antiga cidade. Elas me lembram do passado. Talvez porque, ultimamente, o passado é a única certeza que tenho. De coisas já feitas, de coisas já vividas, de coisas que aconteceram e de perguntas que foram respondidas. E é bom ficar por lá as vezes. É bom ouvir no fundo de meus pensamentos essas palavras sendo lidas. E quando fecho os olhos posso até sentir o antigo vento em meu rosto. Posso até sentir o antigo sol em minha pele. Posso até ouvir o som de palavras sendo ditas e músicas sendo tocadas. Tudo junto as vezes, em um furação de sentimentos. Porque o passado já aconteceu, porque o passado é uma certeza. Porque o passado é ambiente seguro. E quando abro os olhos, percebo que depois de tudo isso, estou encarando o presente. Estou de olhos abertos a olhar para frente. Estou aqui. Estou aqui. E o que isso me diz? Me diz que mesmo não tendo respostas, o melhor é manter os olhos fixos no horizonte. O melhor é sentir o vento no rosto hoje. O melhor é sentir esse sol fraco a bater em minha pele. O melhor é caminhar, só por hoje. Porque, agora não são tempos de respostas. Porque agora, são tempos de perguntas. 

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Um café e algumas palavras

- Esse blog é história. Histórico. Um marco. Uma lembrança. Uma parte de minha vida. Ele começou 10 anos atrás depois que uma professora de redação me disse, no cursinho, que eu não escrevia bem o bastante. E não mesmo. Vestibular é cheio de regras, normas, métricas. E eu queria algo mais livre. Comecei então, por aqui. Tinha tanta coisa escrita no papel. Tinha tanta coisa escrita em meus pensamentos. Tinha tantas palavras acumuladas. E ao longo dos anos elas foram sendo escritas e escritas. Assim as histórias foram contadas, as palavras acumuladas foram preenchendo esse espaço antes vazio e agora, 10 anos depois ele está cheio. Cheio de histórias, cheio de impressões, cheio de coisas que um dia vivi, sonhei, imaginei, presenciei, vi, ouvi. Enchi esse lugar de mim. De tudo que tinha dentro de mim. De tudo que um dia queria dizer e não disse. De tudo que um dia senti. De tudo que um dia quis dizer a alguém e de tudo o que não quis dizer também e quis escrever. Escrever sempre foi parte de mim. Escrever sempre foi um escape, uma terapia, um desabafo. Mesmo que os escritos ficassem escondidos, fechados no antigo diário na última gaveta de meu armário na antiga casa de meus pais. Escrever sempre me fez ser quem eu sou. Escrever na verdade é um ato de coragem. Foi para mim no primeiro ano. Porque era a primeira vez que escrevia de forma aberta. E com o tempo a experiência se tornou libertadora. Toda vez que pensava algo, imaginava algo, via algo, queria dizer algo eu vinha até aqui, pensava em um título e escrevia. E deu certo por tantos anos. E dá certo até hoje. Mas hoje, 10 anos depois, percorrendo essas páginas percebi o quanto o tempo passou, percebi o quanto amadureci, o quanto vi da vida, o quanto vivi da vida. Passaram-se os dramas, alguns dilemas. Alguns caminhos já não são mais possíveis percorrer. Algumas histórias já ganharam um ponto final muito tempo atrás. Só que tudo isso está aqui. Registrado. Imutável e quieto. Esperando. Parado e imóvel. E hoje eu volto aqui, 10 anos depois e me espanto com tudo que eu um dia fui capaz de escrever. E hoje eu me surpreendo com a qualidade de alguns textos. E hoje eu revivi minha própria história que está toda contada nessas páginas. Nem tudo é real. Nem tudo é inventado. Não vou dizer a diferença. Nem tudo realmente aconteceu. Nem tudo realmente foi como está escrito. Mas não posso dizer a diferença. O que posso dizer é que essas páginas são partes da minha vida. Nessas páginas contém histórias. Contos. Pensamentos. Acontecimentos. E eu sentada aqui hoje, lendo tudo o que um dia foi escrito, só consigo pensar que a minha melhor ideia foi tomar um café para acompanhar. Me enchi de mim mesma. Me lembrei de mim mesma. Revivi minha própria vida. No fim, uma xícara de café e algumas palavras. No fim, digo, se chegou até aqui, leia-me. Porque estou de volta.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Para falar de mim, novamente

- Há algumas semanas atrás eu fiz aniversário. Em meio a essa discussão toda de eleições e polarização dos eleitores, eu fiz aniversário. E todo esse contexto me fez pensar no quanto mudei nesses anos vividos. Claro, acho ótimo mudar de ideia, ainda mais relacionada ao amadurecimento, e nesses 30 anos pude viver muitas coisas. Talvez todas que a Carolina adolescente de 15 anos queria. Sai de Marília, minha cidade natal, fiz uma universidade pública, morei sozinha em 3 cidades diferentes, até que voltei para a primeira delas em 2016. Fiz estágio em uma grande empresa do ramo de medicamentos genéricos, fui professora de um cursinho popular, viajei para várias cidades. Tenho um amigo/companheiro/amor/namorado/noivo para toda vida. E hoje faço o que sempre sonhei, desde criança, faço pesquisa. Na verdade, faço doutorado e tento fazer pesquisa, mas isso já me deixa muito feliz e realizada. Com aquela sensação de ter chegado onde queria, e com aquela outra, de ainda tem um longo caminho pela frente. Se pudesse ter uma conversa com a Carolina de 15 anos diria que ela ia chegar exatamente onde sonhou, nem um passo a menos, mas sim com muitas coisas a mais. Diria para ela ir em frente sem medo e com um pouco mais de certeza, diria que tudo iria mesmo acontecer na hora certa e no tempo certo, diria para ela segurar um pouco mais a ansiedade. Diria para ela ter um pouco mais de fé. Que eu sei que ela sempre teve, e que eu sempre tenho. O que me trouxe até aqui, na verdade, foi ter esse pouco de fé. Foi acreditar um pouco em mim e não ter nada de certeza mas mesmo assim, ir em frente. Mas, tem uma coisa que não diria para a Carolina de 15 anos, até porque ela não iria acreditar em mim. Não diria o tanto que ela iria mudar. Não diria o tanto de coisa que ela ia ver, para mudar. Não diria o tanto de realidades diferentes e bem mais duras que a dela, e que ela teria contato, para sim, depois de ver tanto, mudar. Não mudar a personalidade, não mudar a essência de "ser Carolina", mas pensar um pouco diferente, pensar um pouco fora da "bolha", na verdade, pensar muito fora da "bolha". Eu sai de uma cidade no interior do estado de São Paulo, não viajei o mundo, mas conheci algumas cidades por aí. Não tive grandes contatos com outras culturas, mas conheci gente de todos os tipos. E não precisei ir muito longe para isso. Talvez, seja por todo esse contexto dos dias atuais, como as eleições, que me fez pensar e querer escrever esse texto nesse blog velho e antigo. Perceber que talvez eu, se não tivesse passado por tudo isso que passei, eu hoje com 30 anos, seria uma pessoa que votaria de uma forma diferente. Seria uma pessoa fechada em minha "bolha" de minha cidade no interior. São nossas vivências que nos fazem amadurecer, é o que vivemos e vimos que nos fazem moldar quem seremos, são nossas escolhas quando estamos sozinhos, são nossos pensamentos quando estamos sozinhos, são nossas ações quando ninguém está vendo. E após passar por tudo o que já disse aqui, eu não poderia ser diferente. Não poderia pensar diferente. A Carolina do passado já era muito humana, muito com esse desejo de cuidar, tanto é que fez um curso na área da saúde. E essa Carolina de hoje só intensificou mais isso. Como ser contra as pessoas? Qualquer uma delas. Como ser contra a educação? Como ser contra a ciência? Como ser contra quem mais precisa de você? Como não pensar em servir, sendo cristão? E como não ver que se está indo contra tudo isso? Como...

Eu não consigo. Então, nesse mês em que fiz aniversário, nesse mês que fiz 30 anos, assumi que não teria como eu ser diferente do que sou. E que vou continuar sendo. Sempre que possível. Mas, a atual situação, me dá um pouco de medo do que possa vir a acontecer. No mais, o que me resta, é ter fé. Essa pouca fé. E tentar torna-lá uma grande fé. Os próximos tempos precisam. Eu preciso. Nós todos precisamos.

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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Ansiedade

Foco. Tenha paciência. Respira. Um. Dois. Três. Foco. Feche os olhos. Respira. Respira. Respira. Calma. Bom, acho que passou. Acho que passou. E assim será por pelo menos cinco minutos. Mas vamos lá. Paciência. Paciência. Paciência. Acho que consigo me distrair por mais um tempo. Acho que consigo não pensar em nada por mais um tempo. E daí, quando esse tempo estiver se esgotando, começa tudo outra vez. Um. Dois. Três. Respira. É, um ciclo. Não pensar no que vai ser. Não pensar no que será. Não pensar no que virá. Simples. Não pensar. Deixar acontecer. Distrair a mente. Deixar o pensamento distante. Congelar. A que horas o futuro acontece? A que momento chega a oportunidade? Em que dia a mudança chega? Não tem data. Não tem hora. Acontece simplesmente. Mas e quando se espera por alguma coisa? E se não acontecer nada? E o que vai ser? E como vai ser? E quando vai ser? E se não ligarem? E se não sair a lista? E se nada acontecer? Foco. Calma. Tenha paciência. Um. Dois. Três. Respira. Passou. Por pelo menos mais cinco minutos. Até começar tudo de novo. Até que dizem "Mas querida, você é muito ansiosa. Tudo acontece na hora certa." Um grande consolo. Quando é a hora certa? O que tenho que fazer até lá? Calma. Foco. Um. Dois. Três...

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Um ano

Quando o relógio marcar 00:00 muita coisa vai ficar pra trás. Muita coisa vai ficar para trás de um ano que trouxe muita coisa nova. Muita coisa vai ficar para trás mas marcadas para sempre em minha vida, em meu coração. Foi um ano de perder os medos. Foi um ano de conquistar. Foi um ano de ser forte. Foi um ano de enfrentar o que viesse, da forma que viesse, sem contestar. Em 2014 fiz o exercício de dar o primeiro passo e deixar o resto acontecer. Fiz o exercício de melhorar minha fé. Até porque fiz também o exercício de me tranquilizar e deixar vim o que viesse como resposta por esses anos todos que tenho batalhado por um futuro. Tinha metas sim, tinha vontades sim, tinha desejos sim. Mas tudo veio a mim da maneira mais maravilhosa possível. Foi um ano para se agradecer. Foi um ano para olhar agora para trás e dar Graças. Foi um ano que ficará marcado. 2014 trouxe lágrimas por não ser fácil a caminhada que quis traçar. Foi um ano de deixar pela estrada velhas convicções e decisões que ficaram velhas e ultrapassadas. Foi um ano de tentar de novo. De fazer de novo. E um ano de começar de novo, inúmeras coisas. Mas resumo como um ano de fé. Um ano que ter fé foi fundamental. Um ano de amor. De muito amor. E um ano de mudanças. Hoje, quando o relógio marcar 00:00 muita coisa vai ficar para trás, mas marcadas para sempre em meu coração. 


Que venha 2015! Já espero ansiosa!

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Começa por aqui

-Sempre me surgem muitos pensamentos em uma segunda-feira a noite. Sempre percebo que fico aqui imaginando mais de mil coisas. Ultimamente penso em finais. Aquela hora em que tudo que se acaba. Tudo se vai. Aquela hora em que se deve dizer adeus. Estou cercada desse momentos. Estou cercada de despedidas. Terminei projetos. Finalizei trabalhos. Mudei de cidade. Mudei de casa. Mudei de amigos. Mudei de vida. Mudei de rumo. E quase, mudei de ideia. De algumas dessas coisas não consegui me despedir, não consegui olhar para trás e dizer adeus, não queria entender que seria o fim. De outras, agarrei a mudança e a despedida com minhas forças totais e fui. Fui em direção a sabe-se lá onde. Fui rumo ao que nunca tinha visto antes. Fui. Novamente. E é nisso que pensava nessa segunda-feira a noite quando abri essas páginas empoeiradas desse meu caderno velho e querido. Quantas despedidas. Quantos finais. Quantas idas. Quantas vindas. Certamente foram muitos quilômetros também e confesso algumas lágrimas. Em tudo. Em todos os momentos. Mas hoje, pensei nesses 5 anos, pensei em todas as cidades nas quais já estive e cheguei a pensar, novamente, que minha força está nos finais. Que minha força está na mudança, que minha força está nessa vontade ilógica de ir de encontro ao desconhecido. Apesar de negar isso para mim mesma algumas vezes. Mas está. Nos finais que me torno forte. Nos finais que vejo claramente, o começo. E se hoje olho para o céu da minha terceira cidade a morar em 5 anos, é porque minha força está na mudança. E assim, começo a ver que é preciso aceitar. Que é preciso encarar o que a vida trás com serenidade. Que é preciso olhar e ver. Que é preciso fechar os olhos e ir. Ir com o vento. Ir com fé. E eu tenho ido. Tenho ido durante esses 5 anos em busca de qualquer coisa que chamam de destino, vida, futuro ou estrada. Tenho ido em frente, sempre. Buscando. Esperando. Tentando. Querendo. Vivendo. E o vento aqui em cima, e a lua aqui ao lado me lembram que hoje é segunda-feira a noite e eu estou aqui a refletir. E a pensar que tudo acaba, mesmo e sempre. Mas a maior beleza de um final é um começo. É o que se ganha, não o que se perde. E o resto, o que fica pra trás, deixa a forma mais bonita e sincera de sentir saudades.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Uma declaração

-Um amor infinito. Era isso que sentia. Um amor que não cabia dentro dela. Tão grande e tão real que na maioria das vezes palavras eram insuficientes. Mas sentia. Sentia a cada batida acelerada do seu coração, a cada olhar, em cada som inesperado do sorriso dele. E bastava olhos nos olhos e um silêncio cúmplice para que tudo fosse dito, sem a necessidade de palavras. E naquela manhã acordou assim. Sentindo a leveza desse amor, juntamente com doses maiores do que se pode suportar de saudades. Não levantou da cama. Ficou de olhos abertos, encarando o teto, escutando o vento gelado de outono a bater na janela. Não tinha presa. Pensou nele. Pensou naqueles olhos sinceros, naquele sorriso fácil e encantador, no abraço acolhedor, nos carinhos. Pensou nele. Há quase um ano que vivia essa alegria e essa agonia dessa saudade imensa. A presença física. O som de sua voz a chamar pela casa, o som dos passos, o cheio de seu perfume. A cada vez que ele ia, tudo ficava, tudo insistia em não ir embora. E a imagem dele, ali, era praticamente real. Mas não era. Deitada em sua cama, fechou os olhos, respirou fundo, imaginou um beijo. Imaginou o toque de suas mãos. Porque afinal, ela nunca tinha sentido um amor assim. E sabia que era de verdade. Somente por uma questão de sentir. Pensou que estar apaixonada era a coisa mais boba do mundo. Que deixava ela a pessoa mais boba do mundo. Flutuava. Sonhava. Contava os dias. Amava. Amava sem fronteiras, sem limites, amava livre, aberto, na sinceridade de dois olhares, amava de corpo e alma, amava. E naquela manhã fria, desejou ainda de olhos fechados que ele soubesse o quanto o sentimento dela ela enorme. Não tinha dúvidas que era recíproco. Não tinha dúvidas que era ele. E sabia, que dali alguns dias quando se encontrassem e olhasse dentro dos olhos dele, toda a saudade seria curada, toda a espera valeria a pena, todos as horas contadas seriam nada diante daqueles olhos. Era um amor infinito. Era isso que sentia. E sabia, que ele também.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Para acreditar

- Eu estou exatamente aonde gostaria de estar. Apesar de dizer o contrário. Apesar de ter medo. Apesar de pensar que talvez deveria ter sido diferente. Eu estou exatamente aonde gostaria de estar. Aqui, parada, esperando. Mas exatamente aonde gostaria de estar. Sei que ao olhar para frente, ainda não consigo enxergar o que virá. Porém, já compreendo ao olhar para trás o que me trouxe até aqui. Não houve caminho melhor. Não houve melhor caminhada. Todos os caminhos que percorri, e todos que talvez deixei de percorrer culminariam com o lugar no qual me encontro agora. E se os outros caminhos me levariam a algum lugar diferente, nunca saberei. A hora agora é de aceitar. Aceitar o que os dias e anos me trouxeram, aceitar que o que fiz me deixou exatamente aqui, aceitar o que me veio com humildade e gratidão. O esforço não foi em vão. Os dias que chuva foram enfrentados com força e os dias de sol encarados com alegria. Os ventos vieram e se foram, as folhas caíram ao chão, o sol se pôs e já nasceu. E estou aqui. Enfrentando de olhos aberto, no entanto sem nada ver, o que está por vir. Não enxergo. Não sei. Mas tenho a certeza que me encontro aonde deveria estar. Os caminhos mais uma vez se encontram bifurcados, a vida me cobra uma escolha, a vida me cobra um primeiro passo. Um primeiro passo no escuro, um primeiro passo a diante, um primeiro passo que representa confiança. Meu coração sabe. Minha alma sente. E a ansiedade é constante. Sei de antigas caminhadas que o segredo é acalmar corpo, alma e coração. É respirar fundo e lentamente, olhar para o horizonte e ter fé. Confiar. Uma vez que me encontro aonde deveria estar e os caminhos seguintes estão sendo preparados. Não há o que fazer a não ser encarar tudo o que estiver além dos olhos como novidade. Como vitória. Como escolha. A incerteza sempre existirá. A dúvida sempre baterá. Mas o que define o momento é essa espera. É viver os dias que estão por vir com a certeza de que estou no lugar certo, e assim a hora certa em algum dia inesperado e de céu azul e frio chegará. Há algo além. Há algo adiante. E logo verei. Estou no lugar certo, esperando o nascer do sol.


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domingo, 29 de dezembro de 2013

Sobre mim, mais uma vez

-Acordei neste domingo com a mente distante e perdida. Não me encontrava mais em minha cama. Me perdi entre pensamentos e lençóis. Demorou até que me localizasse, aqui deitada em minha cama. Acordei e continuei ali. Encarando o teto. Contando as voltas do ventilador. E pensando. Pensei que talvez eu queria ser uma pessoa diferente. Pensei que queria ser alguém sem esse problema da ansiedade. Alguém calmo e tranquilo que encara as coisas quando elas chegam e não sofrem um bocado por antecipação. Pensei que queria ser alguém que lida de forma diferente com o ciúmes, com a dúvida, com a angústia, com os sentimentos em gerais que vem e vão e que as vezes insistem em ficar. Pensei que queria poder agir de forma diferente com as pessoas que amo, para parar de magoa-las. Pensei que sempre quis isso, e que talvez esteja conseguindo de forma bem lenta, lenta tipo tartaruga. E fiquei ali, de olhos fechados a imaginar uma vida assim. Se eu fosse assim. E fiz perguntas. Perguntas de como seria tudo diferente, se eu fosse também diferente. Sim, seria diferente. Seria, talvez, melhor. Melhor de um jeito que eu nunca virei a saber. Melhor de um jeito que talvez só exista dentro de meus pensamentos, no meu mundo imaginário e idealizado. Entre lençóis e cobertas, fiquei ali, ouvindo o silêncio de minha casa em um domingo pela manhã e pensando que o que sou hoje dependeu exatamente de eu ser uma pessoa ansiosa, não tranquila, que antecipa os acontecimentos e que olha para o horizonte em busca de algumas respostas para perguntas que ainda estão por vim. Torci para conseguir mudar de uma forma não tão passo de tartaruga assim. A verdade de tudo isso, é que penso que sendo assim tive muitas coisas que passaram por mim, sendo que na real eu que passei por tudo. Passei por tudo na tentativa de buscar por mim mesmo. Passei por tudo na vontade de me encontrar. Algo sempre fica. E o que fica é o que tenho de mais valor. Porque o que se foi, talvez nunca tenha sido meu. E por eu ser exatamente do jeito que eu sou o que realmente ficou, é o que realmente mais se identifica comigo. A conclusão, é que eu queria mesmo ser de um jeito mais leve. Mas não nego que gosto de mim mesmo, assim. E rezo para que exista pessoas neste mundo que ao olhar para mim, essa bagunça de emoções e sentimentos, se identifique também. Afinal, não seria isso o amor?



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domingo, 22 de dezembro de 2013

Um ano que vai, um ano que vem

- Eu terei saudade. Terei saudade das viagens. Dos passeios. Terei saudade dos amigos. Das risadas. Dos dias. Dos finais de semana. Das festas. Das pessoas que conheci. Dos lugares que visitei. Das horas que passei a esperar. Da saudade que senti. Terei saudade dos dias de sol. Das noites frias. Bem frias. Dos dias chuvosos. Úmidos. Dos aprendizados. Dos estudos. Dos trabalhos. Das aulas. Das novidades que surgiram. Dos obstáculos vencidos e daqueles que não venci. Da inevitável mudança. Interior e exterior. Das conversas. Das lágrimas. De alegria e de tristeza. Terei saudade do imenso céu azul, e do grande aprendizado que tive durante este ano. Terei saudade de 2013. Porque 2013 foi um ano. Foi o ano. De reviravoltas e voltas. De acordos e desacordos. De surpresas e de  muitas surpresas. Foi um ano de descobrir a verdade nos olhos das pessoas. De redescobrir a minha verdade. De resgate. De novos horizontes. De paz. De olhar para dentro. De compreensão. De mais calma. De mais sinceridade. Foi um ano de muitas alegrias. De muitas festas. De muitas risadas. De experiências inéditas. De abrir os olhos para o que deveria ser visto. E de fechar os olhos para tantas preocupações, algumas vezes. De esquecer. E de lembrar. De espiritualidade. De vida. De amor. 2013 foi um ano querido. Muito querido. Muito importante e que mesmo antes de acabar já deixa saudade. 2013 foi um ano de perder o fôlego. De vida mesmo, de muita vida. E de grandes e importantes decisões. Sinto que as escolhas feitas em 2013 estarão comigo pelos próximos anos, e que as consequências delas não serão pequenas. Foi um ano de responsabilidades. De vencer medos. E sei que essas conquistas me acompanharão. Sempre. Foi um ano de sonhos realizados. E foi um ano de muita realidade também. De pé no chão. De maturidade. 2013 nem se foi e eu já estou aqui, querendo que ele volte. Mas sei que não. Restam ainda algumas semanas de 2013 e eu já sei que a saudade ficará. Mas, no surgimento de um novo ano, eu esqueço essa saudade de olhar para trás e olho para frente querendo mais em 2014. Querendo muito mais. 2013 foi bom, mas 2014...será melhor. Sei disso porque a vontade de olhar para frente é imensa. E a curiosidade dos dias que estão por vim tomam conta de mim, por inteiro. Que venha logo, que seja ótimo, que traga paz, sucesso e muita alegria.

domingo, 6 de outubro de 2013

Feliz Aniversário

- E mais uma vez os dias me trazem essa data. E mais uma vez é chegada a hora de comemorar esse mais um ano. Mais um ano de vida, mais um ano de dificuldade, mais um ano de alegrias, mais um ano de surpresas. Os dias me trazem até aqui, e me fazem pensar nos acontecimentos desses últimos 365 dias de minha vida. Me fazem perceber que apesar de pensar que tinha aprendido e vivido tudo, ainda tinha mais coisas para viver e aprender e que será assim sempre. E esses dias me trouxeram tudo aquilo que havia perdido, tudo aquilo que havia deixado de lado, para ao fim me reencontrar. Estabelecer um equilíbrio que há algum tempo havia perdido. Me trazer paz. Me trazer tranquilidade. Me trazer força. Me trazer novos desafios e vontade de passar por todos eles. Esses últimos 365 dias, me surpreenderam. Foram mudanças atrás de mudanças, literalmente. Foram conquistas atrás de conquistas. Foram dias e dias de superação. De não olhar para trás. De não recuar. De seguir em frente. E posso dizer hoje que encarei o que veio com uma força que não imaginava ter. Que segurei firme e deixei bater o que teve que bater. Mas também senti a leveza das recompensas, dos sonhos que se realizaram, dos dias de sol e sem nuvens e das chuvas frescas. Não conseguiria sozinha. Eu sei. E contei com ajuda. Portos seguros, braços fortes, palavras de consolo. Contei com ajuda e desejo hoje que sempre conte, que pessoas assim sempre estejam comigo ao longo de muitos aniversários. Desejo então, para hoje, alegria, paz, saúde, força, paciência e humildade para encarar o que vier e para ser melhor diante da vida. Para ser melhor a cada aniversário e para entender que tudo muda inclusive minha idade.


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Quantos anos? 25.
Ou como andam me dizendo, um quarto de século. Me sinto orgulhosa de ter chegado até aqui. E feliz.

sábado, 31 de agosto de 2013

Pelo lado de fora


- Os olhos dele eram sempre misteriosos. Julgadores. Justos. E davam aquela impressão de antiga e vasta sabedoria. Os olhos eram de uma imensa vivência. Daqueles que viram de tudo, e que sabem de tudo. Só que insistia em dizer que de nada sabia. As palavras eram poucas. Os pensamentos eram muitos. As frases cuidadosamente elaboradas. Os olhos inquietos observavam tudo. Viam tudo. Compreendiam, porém, tão pouco. Sempre havia aquele segredo por trás desses olhos. Sempre havia aquele imenso oceano calmo, que dificilmente se agitava. E sempre havia a curiosidade. E uma grande vontade de minha parte, de mergulhar. De se jogar, de se afogar nesse oceano. De nunca voltar antes de compreender tudo. Poderia demorar dias, meses, anos mas a volta nunca seria uma opção até que a última compressão não estivesse clara. Só que me contentava em somente andar na praia. Em somente olhar de fora para aqueles olhos e imaginar. Em somente perguntar. Em somente tentar entender os motivos desses olhos tão sedutores. O tempo passaria. Os invernos. As primaveras. Os verões. E eu nunca mergulharia. Ficaria, talvez, nessa praia a contemplar os mistérios desse enorme oceano de olhos. Para sempre. Por toda a vida. A espera de um convite.


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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Eu nada sei

-Me sinto assim, mais livre, mais feliz quem sabe. Me sinto assim, com essa sensação de que as coisas mudaram, de que os dias passaram, de que os tempos não são mais os mesmos e de que eu já sou outra pessoa. Diferente. Não diferente de mim. Eu mesma, mas mais segura, mais calma, mais tranquila, mais forte. Hoje tenho a certeza de que os ventos são mais fortes, só que eles não me levam mais. Eu os sinto, e eles batem em meu rosto trazendo vozes que antes não ouvia, trazendo sorrisos de uma certeza sem nome que sinto, somente. Hoje eu sei que mudei. Não a essência, o interior, isso foi resgatado, não. O que mudou foram as certezas, a segurança, o sorriso, o brilho dos olhos. O frio é sentido com mais intensidade, o calor também, a vida é vivida um dia de cada vez, sem deixar de esperar ansiosamente o próximo e o desfecho de tudo, mas sabendo que cada pedra neste caminho deve ser recolhida e sentida. Me sinto assim, mais eu. Me sinto assim, como se tivesse renascido sem precisar ter morrido. Morri dentro de mim, para que pudesse renascer naquilo que sempre tive certeza que seria melhor e tinha perdido. Morri sem deixar de existir, e vi que eu mesma estava sempre presente, mas afastada. Voltei. E hoje sinto os ventos mais fortes, os ventos mais frios, os ventos mais quentes. E sei que o que eles me dizem. E sei afinal, que estou mais firme, dentro de mim.


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"Ando devagar porque já tive pressa, e trago esse sorriso porque já chorei de mais..."

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Ser bem assim

-Havia um tempo em que os dias eram mais quentes e as noites mais claras. Havia um tempo em que tudo parecia tão distante e duro e tenso e trágico. Havia um tempo em que as horas arrastavam, em que as dúvidas eram constantes, em que os pensamentos infinitos em dias melhores eram cotidiano. Havia um tempo em que se desejava mais, em que se ansiava mais, em que se desesperava mais. Havia um tempo, assim longe de hoje, assim distante das horas de agora, em que tudo parecia um turbilhão de cores. Esse tempo passou. Assim como todos os outros tempos, idos e vindos nesse eterno vai-e-vem de sensações. Nessa eterna roda gigante. Nessa vida.

Houve um tempo, em que os sonhos eram obrigação, em que decorar respostas e suar as mãos era típico, em que o desconhecido era breu. Houve um tempo em que pensar além de alguns meses era difícil, em que planejar o futuro era impossível, e que contar as horas era rotina. Houve um tempo no qual a impaciência reinava, no qual as horas passadas pensando nas próximas horas tendiam ao infinito, no qual pousar os olhos na linha do horizonte e ter paciência era angustiante. Houve um tempo para isso, assim como houve um tempo para se ser jovem. E ser jovem era ser e viver tudo isso.

E houve também, um tempo de descreditar. De descrer. De achar que tudo que era correto estava de cabeça para baixo. E nesse tempo se descobriu que o de cabeça para baixo era o lado mais correto. Houve esse tempo, e muitos outros. Houve pessoas também. E palavras. E muitas palavras ditas, e muitos acordos desfeitos, o que é comum visto que quando se lida com pessoas, acordos são desfeitos a todo momento. Mas houve um tempo de sentir dor pelos acordos, e sentir angustia pelo que estava errado e deveria estar certo. Houve um tempo de desconcerto. Houve de tempo de ingratidão. Houve um tempo de lágrimas. Um tempo de pensar que assim, desse jeito, não poderia mais ficar. Após, sempre havia um tempo de reflexão. De luzes baixas e pouco brilhantes, de olhos fechados, de bocas caladas, de pensamentos a todo vapor, de entendimento. E houve compreensão.

Na verdade, era tempo de ser jovem. E era o tempo de sendo jovem, deixar de ser. De crescer. Mesmo quando parece que já se é alto o bastante. Porque o importante não é a altura. Então se vai. Se deixa, se esquece, se desprende e se solta. Leve, mas não livre. Solto, mas não desamparado. E surge um tempo de luz clara e brilhante, de pousar os olhos no horizonte com firmeza e garra, de acender a lanterna no breu do desconhecido e se provar.

E surge aquela paz, aquela calma azul, serena e plena. E a certeza de que realmente não se deve planejar mais do que alguns meses, de que o futuro é realmente impossível e de que nada importa do que estar por vir. Importa o que vier. Importa o que tiver. Como quiser. Como for. Como chegar. Na hora, será.

E será daquele jeito sublime e único e grande, como a grandeza dos momentos que se aguarda com calma. O que acontece antes, é preparação. O tempo que houve antes é necessário. Afinal apagar a luz é imprescindível.

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-Guardo no bolso a velha certeza de um amanhã. Somente isso vale. A certeza de um amanhã.


quarta-feira, 3 de julho de 2013

Falando de mim

-Época do fim. Fim de tudo que se conhece e início de tudo novo e desconhecido. A análise da situação permite a conclusão de que o tempo pedia mudanças a atitudes. O que incomodava não era somente a situação, era o interno. Era a vontade. Tudo dará certo, mesmo ainda pareça distante. Tudo anteriormente caminhou para esse final histórico em seu tempo. Tudo já pedia uma renovação. A alma pede, mesmo em silêncio. E há aquele desejo de se provas, de mostrar que pode. Finais são assim, cheios de despedidas, as vezes não tão queridas. E repletos de reencontros e novos momentos. Reencontros com o próprio interno.


-O céu se abre e mostra com claridade os passos. Era a vida, levando em um rumo diferente esse caminho. Novamente.

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quinta-feira, 20 de junho de 2013

Na iminência

-Há momentos em que já não adianta contar com a sorte. Ouvir o que os outros tem a dizer. Pedir conselhos. Há momentos em que já não é mais possível escutar com atenção os fatos antecedentes, que não há mais sentido se basear em histórias passadas. Há momentos em que todas as crenças caem por terra, que nenhuma delas serve, que nada antigo faz sentido. Há momentos em que tudo se torna ladainha, palavras sem sentido, repetição. Daí, vem aquela vontade de se colocar a prova. De arriscar. De deixar os dados rolarem. De tentar o inédito. De fechar os olhos e se jogar. Quando nada mais faz sentido, quando o antigo perde o senso e a noção, quando o impossível olha nos olhos e desafia está na hora de se provar. Está na hora de pular no abismo. Está na hora de fazer do jeito que quiser. Está na hora de encarar com vontade o desconhecido. Está na hora de propor uma solução nova. Está na hora de simplesmente fazer de um jeito novo. Quando se arrisca assim, quando se fecha os olhos e somente segue os caminhos traçados, quando se coloca contra o vento, contra o premeditado, contra a regra só se escuta o silêncio. A falta de vozes. E não há como fugir. O destino encara, o tempo cobra, os dias passam e chega a hora de mostrar a que veio. Não há sorte. Há preparo. Há fé. Não há medo. Há expectativa. Expectativa de haver braços no final do abismo. De haver abraço no final da luta encerrada. De haver reconhecimento. Expectativa de olhar para trás, ou para frente, e saber que se fez tudo do jeito que se quis. Que se fez tudo do seu jeito.


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Estou na estrada. Do meu jeito.