-Época do fim. Fim de tudo que se conhece e início de tudo novo e desconhecido. A análise da situação permite a conclusão de que o tempo pedia mudanças a atitudes. O que incomodava não era somente a situação, era o interno. Era a vontade. Tudo dará certo, mesmo ainda pareça distante. Tudo anteriormente caminhou para esse final histórico em seu tempo. Tudo já pedia uma renovação. A alma pede, mesmo em silêncio. E há aquele desejo de se provas, de mostrar que pode. Finais são assim, cheios de despedidas, as vezes não tão queridas. E repletos de reencontros e novos momentos. Reencontros com o próprio interno.
-O céu se abre e mostra com claridade os passos. Era a vida, levando em um rumo diferente esse caminho. Novamente.
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quarta-feira, 3 de julho de 2013
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Na iminência
-Há momentos em que já não adianta contar com a sorte. Ouvir o que os outros tem a dizer. Pedir conselhos. Há momentos em que já não é mais possível escutar com atenção os fatos antecedentes, que não há mais sentido se basear em histórias passadas. Há momentos em que todas as crenças caem por terra, que nenhuma delas serve, que nada antigo faz sentido. Há momentos em que tudo se torna ladainha, palavras sem sentido, repetição. Daí, vem aquela vontade de se colocar a prova. De arriscar. De deixar os dados rolarem. De tentar o inédito. De fechar os olhos e se jogar. Quando nada mais faz sentido, quando o antigo perde o senso e a noção, quando o impossível olha nos olhos e desafia está na hora de se provar. Está na hora de pular no abismo. Está na hora de fazer do jeito que quiser. Está na hora de encarar com vontade o desconhecido. Está na hora de propor uma solução nova. Está na hora de simplesmente fazer de um jeito novo. Quando se arrisca assim, quando se fecha os olhos e somente segue os caminhos traçados, quando se coloca contra o vento, contra o premeditado, contra a regra só se escuta o silêncio. A falta de vozes. E não há como fugir. O destino encara, o tempo cobra, os dias passam e chega a hora de mostrar a que veio. Não há sorte. Há preparo. Há fé. Não há medo. Há expectativa. Expectativa de haver braços no final do abismo. De haver abraço no final da luta encerrada. De haver reconhecimento. Expectativa de olhar para trás, ou para frente, e saber que se fez tudo do jeito que se quis. Que se fez tudo do seu jeito.
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Estou na estrada. Do meu jeito.
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Estou na estrada. Do meu jeito.
quarta-feira, 15 de maio de 2013
De volta ao início
-O tempo cobra. E seu preço não é nada leve. O tempo cobra. E seu jeito de cobrar não é nada amoroso. O coração insiste em errar os mesmos erros enquanto a mente insiste em dizer que o correto é ser sensato. Mas a paixão é tanta, que cega. A imensa chama interna insiste em não trazer à lembrança, ações, atos, palavras que deveriam fazer a diferença na hora de escolher as palavras. Só que as palavras simplesmente são ditas. E a dor simplesmente é inevitável. E o tempo cobra uma atitude. Ele cobra levando embora aquilo que se ama. Ele cobra tirando aquilo que se quer. Ele cobra e deixa aquela certeza enorme de que se houvesse sido diferente, a dor não seria tanta. Ele cobra pois antes ele tentou ensinar. E o sensato, frente a esse senhor insensível, é aprender. Antes que os danos sejam irreparáveis. Antes que não haja mais segunda chance. Antes que o vento tire tudo e mude tudo, novamente.
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"Come up to meet you, tell you I'm sorry.
You don't know how lovely you are
I had to find you, tell you I need you
And tell you I set you apart
Tell me your secrets, and ask me your questions
Oh let's go back to the start..."
Coldplay
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"Come up to meet you, tell you I'm sorry.
You don't know how lovely you are
I had to find you, tell you I need you
And tell you I set you apart
Tell me your secrets, and ask me your questions
Oh let's go back to the start..."
Coldplay
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Você entende?
-A vida é assim. Efêmera. Finita. Mutante. A vida é assim. Bola de sabão. Chuva de verão. Tarde fria de outono. Passa. Arrasta. Leva embora. E, as vezes, trás de volta. A vida é assim. Infinita. E nos faz caminhar. Em busca de conquistar tudo aquilo que será para sempre. Mas nada será. Nada será para sempre. A vida mudará tudo. Transformará tudo. Faz inimigos. Junta amigos. Desencontra amantes. Encontra amores. Destrói sonhos. Constrói força. Acrescenta esperança. Fé. Paciência. A vida é isso. E é aquilo também. A vida é esse constante esperar pelos dias, meses, anos. A vida é ver o ano passar. É ter saudade de épocas boas. É entender que o passado ensina, apesar de machucar. É compreender que passos leves e olhos no horizonte são sempre necessários. É caminhar. A vida é curta. É longa. É dura. É mole. A vida marca. A vida consola. E não dá pausa entre suas rasteiras. E cobra. E pede. E exige. A vida é assim. Nada eterno. Apesar de infinita. A vida é isso. Constante. Variável. Exata. Apensar de humana. A vida é isso. Esse horizonte distante que o reflexo do sol nos olhos insiste em não permitir enxergar.
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Bom dia.
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Bom dia.
domingo, 5 de maio de 2013
A quem diga....
-Se eu abrir os olhos agora, estragarei a melhor parte do sonho. Então me esforço mais alguns minutos e os mantenho fechados. Vejo em minha mente mais algumas imagens repetidas, sobre tudo aquilo que não consigo parar de pensar. E só posso estar sonhando. Um sonho bom. Um sonho de paz. Um sonho no qual as lágrimas são de alegria, emoção. Um sonho no qual havia muitos sorrisos. Muita esperança. Um sonho no qual eu tinha confiança e olhava em direção a tudo percebendo que cada passo já estava traçado. E eu não quero e não posso abrir os olhos. Porque esse sonho não pode acabar. E eu me esforço mais alguns segundos para não abrir os olhos. Tudo passa tão rapidamente em minha mente. Tudo rodopia, gira em cores, formas, palavras. E eu me esforço para o sonho passar mais devagar. E ele realmente passa. E eu consigo entender claramente cada uma das imagens, antes embaçadas. Suspiro. Respiro. Preciso abrir os olhos. Relutante, dou uma espiada. Sinto a luz penetrar em meus olhos semi fechados. Abro os olhos devagar. Me vejo encarando o teto de meu quarto. Me vejo deitada imóvel em minha cama. Me vejo a contemplar a claridade da luz que entra pela minha janela. E tenho uma única certeza. Não era um sonho. E essa realidade é tão boa que dá medo de quebrar.
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É tudo não real. Mas nada normal.
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É tudo não real. Mas nada normal.
terça-feira, 23 de abril de 2013
De mãos dadas
-Eu tenho essa saudade de tudo aquilo que ainda vou conhecer. Porque eu antecipo dentro de mim sentimentos que ainda vou sentir. Eu tenho em mim todos os sonhos do mundo e mesmo assim sinto que necessito de mais. Eu vejo meus olhos no espelho e sei que tudo através deles é antigo. E minha imagem envelheceu mesmo sem o tempo passar, nestes segundos em que mantive-os fechados. O tempo é tão longo. Os anos são tão compridos. E num segundo, num minuto, num mês tudo já se foi. Se ontem eu olhava dentro daqueles olhos, hoje eu sonho com eles. E me sento aqui a olhar o céu e as nuvens, com a brisa em meu rosto a pensar que adoro o outono. Outono que trás com ele todo esse clima de aconchego, outono que trás com ele essa saudade que agora faz morada dentro de mim. Porque eu sei que sem ela eu não viveria. E deixo o silêncio falar por mim.
E permito que a vida caminhe.
E que me leve.
Porque sei, que sou dona de mim.
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Sem sentido?
Tem muito mais de mim do que se pode imaginar.
Leia-me.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Um brinde a vida, meu amor.
-Houve um tempo, depois de passadas várias tempestades. Quando as tardes eram longas e as noites saudosas. Que eu acordava quase toda madrugada e ficava a lembrar daqueles olhos. Não, não tinha insônia, eu conseguia dormir normalmente. Somente acordava, leve e doce, na hora mais escura da noite, e ficava mentalmente contemplando aqueles olhos. Ele, por si só, sempre foi e sempre será alguém que me encantou. Mas aqueles olhos por vezes, inúmeras vezes, me afogava em imaginação e mistério. Ele era novo, um pouco menos do que minha idade na época. Quase com o mesmo estilo de vida que o meu. Quase com a mesma visão da vida que eu. Só que havia momentos em que eu podia ver, ao olhar fundo em seus olhos, as cicatrizes que a vida havia deixado nele. Só que eu podia sentir, ao olhar bem dentro daqueles olhos escuros a vasta experiência, a grande dor, o grande aprendizado que de maneira agradável ou não - e eu creio que não- a vida havia feito nele. Tinha momentos, que mesmo sem querer os olhos o denunciavam, e eu via claramente o quanto mais maduro do que eu ele era. Uma vez disse a ele "a vida marca as pessoas de jeitos diferentes" e nunca estive tão certo em minha vida. Uma vez eu disse a ele "a vida sempre marcará nossa caminhada" e nunca acertei tanto quanto neste momento. E ele soube o que eu quis dizer, tanto é que me olhou assim, humilde, concordando em silêncio e revelando a tamanha imensidão dos segredos que aqueles olhos revelavam. E nós tínhamos essa conexão. Pois eu sabia que tinha as mesmas marcas no olhar. E eu entendia. E admirava de uma forma tão intensa que podia ficar ali, naquele silêncio cúmplice que geralmente existia entre mim e ele, por horas conversando sem dizer uma só palavra. Eu nunca soube como a vida o havia marcado. Eu nunca perguntei. Ele nunca disse. Para mim bastava saber que havia tanto aprendizado. Para mim bastava ele sustentar meu olhar com o dele cheio de grandeza. Para mim bastava ele e seus olhos e todos seus carinhos e abraços. Muitos anos se passaram desde então. E nós compartilhamos disso por anos. Mas agora, eu preciso levantar a cada madrugada, preciso sentir meus olhos marejados de lágrimas, lágrimas essas que escorrem pelas rugas em meu rosto para me sentir compreendida por ele de uma forma incomum. Éramos cúmplices dessa vida, e sabíamos. Éramos velhos na alma com a idade de jovens. E a companhia um do outro bastava. E lembrar seus olhos é o que bastava nessas madrugadas escuras, saudosas e nem um pouco solitárias.
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