- Esse blog é história. Histórico. Um marco. Uma lembrança. Uma parte de minha vida. Ele começou 10 anos atrás depois que uma professora de redação me disse, no cursinho, que eu não escrevia bem o bastante. E não mesmo. Vestibular é cheio de regras, normas, métricas. E eu queria algo mais livre. Comecei então, por aqui. Tinha tanta coisa escrita no papel. Tinha tanta coisa escrita em meus pensamentos. Tinha tantas palavras acumuladas. E ao longo dos anos elas foram sendo escritas e escritas. Assim as histórias foram contadas, as palavras acumuladas foram preenchendo esse espaço antes vazio e agora, 10 anos depois ele está cheio. Cheio de histórias, cheio de impressões, cheio de coisas que um dia vivi, sonhei, imaginei, presenciei, vi, ouvi. Enchi esse lugar de mim. De tudo que tinha dentro de mim. De tudo que um dia queria dizer e não disse. De tudo que um dia senti. De tudo que um dia quis dizer a alguém e de tudo o que não quis dizer também e quis escrever. Escrever sempre foi parte de mim. Escrever sempre foi um escape, uma terapia, um desabafo. Mesmo que os escritos ficassem escondidos, fechados no antigo diário na última gaveta de meu armário na antiga casa de meus pais. Escrever sempre me fez ser quem eu sou. Escrever na verdade é um ato de coragem. Foi para mim no primeiro ano. Porque era a primeira vez que escrevia de forma aberta. E com o tempo a experiência se tornou libertadora. Toda vez que pensava algo, imaginava algo, via algo, queria dizer algo eu vinha até aqui, pensava em um título e escrevia. E deu certo por tantos anos. E dá certo até hoje. Mas hoje, 10 anos depois, percorrendo essas páginas percebi o quanto o tempo passou, percebi o quanto amadureci, o quanto vi da vida, o quanto vivi da vida. Passaram-se os dramas, alguns dilemas. Alguns caminhos já não são mais possíveis percorrer. Algumas histórias já ganharam um ponto final muito tempo atrás. Só que tudo isso está aqui. Registrado. Imutável e quieto. Esperando. Parado e imóvel. E hoje eu volto aqui, 10 anos depois e me espanto com tudo que eu um dia fui capaz de escrever. E hoje eu me surpreendo com a qualidade de alguns textos. E hoje eu revivi minha própria história que está toda contada nessas páginas. Nem tudo é real. Nem tudo é inventado. Não vou dizer a diferença. Nem tudo realmente aconteceu. Nem tudo realmente foi como está escrito. Mas não posso dizer a diferença. O que posso dizer é que essas páginas são partes da minha vida. Nessas páginas contém histórias. Contos. Pensamentos. Acontecimentos. E eu sentada aqui hoje, lendo tudo o que um dia foi escrito, só consigo pensar que a minha melhor ideia foi tomar um café para acompanhar. Me enchi de mim mesma. Me lembrei de mim mesma. Revivi minha própria vida. No fim, uma xícara de café e algumas palavras. No fim, digo, se chegou até aqui, leia-me. Porque estou de volta.
segunda-feira, 6 de abril de 2020
quinta-feira, 18 de outubro de 2018
Para falar de mim, novamente
- Há algumas semanas atrás eu fiz aniversário. Em meio a essa discussão toda de eleições e polarização dos eleitores, eu fiz aniversário. E todo esse contexto me fez pensar no quanto mudei nesses anos vividos. Claro, acho ótimo mudar de ideia, ainda mais relacionada ao amadurecimento, e nesses 30 anos pude viver muitas coisas. Talvez todas que a Carolina adolescente de 15 anos queria. Sai de Marília, minha cidade natal, fiz uma universidade pública, morei sozinha em 3 cidades diferentes, até que voltei para a primeira delas em 2016. Fiz estágio em uma grande empresa do ramo de medicamentos genéricos, fui professora de um cursinho popular, viajei para várias cidades. Tenho um amigo/companheiro/amor/namorado/noivo para toda vida. E hoje faço o que sempre sonhei, desde criança, faço pesquisa. Na verdade, faço doutorado e tento fazer pesquisa, mas isso já me deixa muito feliz e realizada. Com aquela sensação de ter chegado onde queria, e com aquela outra, de ainda tem um longo caminho pela frente. Se pudesse ter uma conversa com a Carolina de 15 anos diria que ela ia chegar exatamente onde sonhou, nem um passo a menos, mas sim com muitas coisas a mais. Diria para ela ir em frente sem medo e com um pouco mais de certeza, diria que tudo iria mesmo acontecer na hora certa e no tempo certo, diria para ela segurar um pouco mais a ansiedade. Diria para ela ter um pouco mais de fé. Que eu sei que ela sempre teve, e que eu sempre tenho. O que me trouxe até aqui, na verdade, foi ter esse pouco de fé. Foi acreditar um pouco em mim e não ter nada de certeza mas mesmo assim, ir em frente. Mas, tem uma coisa que não diria para a Carolina de 15 anos, até porque ela não iria acreditar em mim. Não diria o tanto que ela iria mudar. Não diria o tanto de coisa que ela ia ver, para mudar. Não diria o tanto de realidades diferentes e bem mais duras que a dela, e que ela teria contato, para sim, depois de ver tanto, mudar. Não mudar a personalidade, não mudar a essência de "ser Carolina", mas pensar um pouco diferente, pensar um pouco fora da "bolha", na verdade, pensar muito fora da "bolha". Eu sai de uma cidade no interior do estado de São Paulo, não viajei o mundo, mas conheci algumas cidades por aí. Não tive grandes contatos com outras culturas, mas conheci gente de todos os tipos. E não precisei ir muito longe para isso. Talvez, seja por todo esse contexto dos dias atuais, como as eleições, que me fez pensar e querer escrever esse texto nesse blog velho e antigo. Perceber que talvez eu, se não tivesse passado por tudo isso que passei, eu hoje com 30 anos, seria uma pessoa que votaria de uma forma diferente. Seria uma pessoa fechada em minha "bolha" de minha cidade no interior. São nossas vivências que nos fazem amadurecer, é o que vivemos e vimos que nos fazem moldar quem seremos, são nossas escolhas quando estamos sozinhos, são nossos pensamentos quando estamos sozinhos, são nossas ações quando ninguém está vendo. E após passar por tudo o que já disse aqui, eu não poderia ser diferente. Não poderia pensar diferente. A Carolina do passado já era muito humana, muito com esse desejo de cuidar, tanto é que fez um curso na área da saúde. E essa Carolina de hoje só intensificou mais isso. Como ser contra as pessoas? Qualquer uma delas. Como ser contra a educação? Como ser contra a ciência? Como ser contra quem mais precisa de você? Como não pensar em servir, sendo cristão? E como não ver que se está indo contra tudo isso? Como...
Eu não consigo. Então, nesse mês em que fiz aniversário, nesse mês que fiz 30 anos, assumi que não teria como eu ser diferente do que sou. E que vou continuar sendo. Sempre que possível. Mas, a atual situação, me dá um pouco de medo do que possa vir a acontecer. No mais, o que me resta, é ter fé. Essa pouca fé. E tentar torna-lá uma grande fé. Os próximos tempos precisam. Eu preciso. Nós todos precisamos.
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quarta-feira, 27 de maio de 2015
Ansiedade
Foco. Tenha paciência. Respira. Um. Dois. Três. Foco. Feche os olhos. Respira. Respira. Respira. Calma. Bom, acho que passou. Acho que passou. E assim será por pelo menos cinco minutos. Mas vamos lá. Paciência. Paciência. Paciência. Acho que consigo me distrair por mais um tempo. Acho que consigo não pensar em nada por mais um tempo. E daí, quando esse tempo estiver se esgotando, começa tudo outra vez. Um. Dois. Três. Respira. É, um ciclo. Não pensar no que vai ser. Não pensar no que será. Não pensar no que virá. Simples. Não pensar. Deixar acontecer. Distrair a mente. Deixar o pensamento distante. Congelar. A que horas o futuro acontece? A que momento chega a oportunidade? Em que dia a mudança chega? Não tem data. Não tem hora. Acontece simplesmente. Mas e quando se espera por alguma coisa? E se não acontecer nada? E o que vai ser? E como vai ser? E quando vai ser? E se não ligarem? E se não sair a lista? E se nada acontecer? Foco. Calma. Tenha paciência. Um. Dois. Três. Respira. Passou. Por pelo menos mais cinco minutos. Até começar tudo de novo. Até que dizem "Mas querida, você é muito ansiosa. Tudo acontece na hora certa." Um grande consolo. Quando é a hora certa? O que tenho que fazer até lá? Calma. Foco. Um. Dois. Três...
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
Um ano
- Quando o relógio marcar 00:00 muita coisa vai ficar pra trás. Muita coisa vai ficar para trás de um ano que trouxe muita coisa nova. Muita coisa vai ficar para trás mas marcadas para sempre em minha vida, em meu coração. Foi um ano de perder os medos. Foi um ano de conquistar. Foi um ano de ser forte. Foi um ano de enfrentar o que viesse, da forma que viesse, sem contestar. Em 2014 fiz o exercício de dar o primeiro passo e deixar o resto acontecer. Fiz o exercício de melhorar minha fé. Até porque fiz também o exercício de me tranquilizar e deixar vim o que viesse como resposta por esses anos todos que tenho batalhado por um futuro. Tinha metas sim, tinha vontades sim, tinha desejos sim. Mas tudo veio a mim da maneira mais maravilhosa possível. Foi um ano para se agradecer. Foi um ano para olhar agora para trás e dar Graças. Foi um ano que ficará marcado. 2014 trouxe lágrimas por não ser fácil a caminhada que quis traçar. Foi um ano de deixar pela estrada velhas convicções e decisões que ficaram velhas e ultrapassadas. Foi um ano de tentar de novo. De fazer de novo. E um ano de começar de novo, inúmeras coisas. Mas resumo como um ano de fé. Um ano que ter fé foi fundamental. Um ano de amor. De muito amor. E um ano de mudanças. Hoje, quando o relógio marcar 00:00 muita coisa vai ficar para trás, mas marcadas para sempre em meu coração.
Que venha 2015! Já espero ansiosa!
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Começa por aqui
-Sempre me surgem muitos pensamentos em uma segunda-feira a noite. Sempre percebo que fico aqui imaginando mais de mil coisas. Ultimamente penso em finais. Aquela hora em que tudo que se acaba. Tudo se vai. Aquela hora em que se deve dizer adeus. Estou cercada desse momentos. Estou cercada de despedidas. Terminei projetos. Finalizei trabalhos. Mudei de cidade. Mudei de casa. Mudei de amigos. Mudei de vida. Mudei de rumo. E quase, mudei de ideia. De algumas dessas coisas não consegui me despedir, não consegui olhar para trás e dizer adeus, não queria entender que seria o fim. De outras, agarrei a mudança e a despedida com minhas forças totais e fui. Fui em direção a sabe-se lá onde. Fui rumo ao que nunca tinha visto antes. Fui. Novamente. E é nisso que pensava nessa segunda-feira a noite quando abri essas páginas empoeiradas desse meu caderno velho e querido. Quantas despedidas. Quantos finais. Quantas idas. Quantas vindas. Certamente foram muitos quilômetros também e confesso algumas lágrimas. Em tudo. Em todos os momentos. Mas hoje, pensei nesses 5 anos, pensei em todas as cidades nas quais já estive e cheguei a pensar, novamente, que minha força está nos finais. Que minha força está na mudança, que minha força está nessa vontade ilógica de ir de encontro ao desconhecido. Apesar de negar isso para mim mesma algumas vezes. Mas está. Nos finais que me torno forte. Nos finais que vejo claramente, o começo. E se hoje olho para o céu da minha terceira cidade a morar em 5 anos, é porque minha força está na mudança. E assim, começo a ver que é preciso aceitar. Que é preciso encarar o que a vida trás com serenidade. Que é preciso olhar e ver. Que é preciso fechar os olhos e ir. Ir com o vento. Ir com fé. E eu tenho ido. Tenho ido durante esses 5 anos em busca de qualquer coisa que chamam de destino, vida, futuro ou estrada. Tenho ido em frente, sempre. Buscando. Esperando. Tentando. Querendo. Vivendo. E o vento aqui em cima, e a lua aqui ao lado me lembram que hoje é segunda-feira a noite e eu estou aqui a refletir. E a pensar que tudo acaba, mesmo e sempre. Mas a maior beleza de um final é um começo. É o que se ganha, não o que se perde. E o resto, o que fica pra trás, deixa a forma mais bonita e sincera de sentir saudades.
terça-feira, 29 de abril de 2014
Uma declaração
-Um amor infinito. Era isso que sentia. Um amor que não cabia dentro dela. Tão grande e tão real que na maioria das vezes palavras eram insuficientes. Mas sentia. Sentia a cada batida acelerada do seu coração, a cada olhar, em cada som inesperado do sorriso dele. E bastava olhos nos olhos e um silêncio cúmplice para que tudo fosse dito, sem a necessidade de palavras. E naquela manhã acordou assim. Sentindo a leveza desse amor, juntamente com doses maiores do que se pode suportar de saudades. Não levantou da cama. Ficou de olhos abertos, encarando o teto, escutando o vento gelado de outono a bater na janela. Não tinha presa. Pensou nele. Pensou naqueles olhos sinceros, naquele sorriso fácil e encantador, no abraço acolhedor, nos carinhos. Pensou nele. Há quase um ano que vivia essa alegria e essa agonia dessa saudade imensa. A presença física. O som de sua voz a chamar pela casa, o som dos passos, o cheio de seu perfume. A cada vez que ele ia, tudo ficava, tudo insistia em não ir embora. E a imagem dele, ali, era praticamente real. Mas não era. Deitada em sua cama, fechou os olhos, respirou fundo, imaginou um beijo. Imaginou o toque de suas mãos. Porque afinal, ela nunca tinha sentido um amor assim. E sabia que era de verdade. Somente por uma questão de sentir. Pensou que estar apaixonada era a coisa mais boba do mundo. Que deixava ela a pessoa mais boba do mundo. Flutuava. Sonhava. Contava os dias. Amava. Amava sem fronteiras, sem limites, amava livre, aberto, na sinceridade de dois olhares, amava de corpo e alma, amava. E naquela manhã fria, desejou ainda de olhos fechados que ele soubesse o quanto o sentimento dela ela enorme. Não tinha dúvidas que era recíproco. Não tinha dúvidas que era ele. E sabia, que dali alguns dias quando se encontrassem e olhasse dentro dos olhos dele, toda a saudade seria curada, toda a espera valeria a pena, todos as horas contadas seriam nada diante daqueles olhos. Era um amor infinito. Era isso que sentia. E sabia, que ele também.
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Para acreditar
- Eu estou exatamente aonde gostaria de estar. Apesar de dizer o contrário. Apesar de ter medo. Apesar de pensar que talvez deveria ter sido diferente. Eu estou exatamente aonde gostaria de estar. Aqui, parada, esperando. Mas exatamente aonde gostaria de estar. Sei que ao olhar para frente, ainda não consigo enxergar o que virá. Porém, já compreendo ao olhar para trás o que me trouxe até aqui. Não houve caminho melhor. Não houve melhor caminhada. Todos os caminhos que percorri, e todos que talvez deixei de percorrer culminariam com o lugar no qual me encontro agora. E se os outros caminhos me levariam a algum lugar diferente, nunca saberei. A hora agora é de aceitar. Aceitar o que os dias e anos me trouxeram, aceitar que o que fiz me deixou exatamente aqui, aceitar o que me veio com humildade e gratidão. O esforço não foi em vão. Os dias que chuva foram enfrentados com força e os dias de sol encarados com alegria. Os ventos vieram e se foram, as folhas caíram ao chão, o sol se pôs e já nasceu. E estou aqui. Enfrentando de olhos aberto, no entanto sem nada ver, o que está por vir. Não enxergo. Não sei. Mas tenho a certeza que me encontro aonde deveria estar. Os caminhos mais uma vez se encontram bifurcados, a vida me cobra uma escolha, a vida me cobra um primeiro passo. Um primeiro passo no escuro, um primeiro passo a diante, um primeiro passo que representa confiança. Meu coração sabe. Minha alma sente. E a ansiedade é constante. Sei de antigas caminhadas que o segredo é acalmar corpo, alma e coração. É respirar fundo e lentamente, olhar para o horizonte e ter fé. Confiar. Uma vez que me encontro aonde deveria estar e os caminhos seguintes estão sendo preparados. Não há o que fazer a não ser encarar tudo o que estiver além dos olhos como novidade. Como vitória. Como escolha. A incerteza sempre existirá. A dúvida sempre baterá. Mas o que define o momento é essa espera. É viver os dias que estão por vir com a certeza de que estou no lugar certo, e assim a hora certa em algum dia inesperado e de céu azul e frio chegará. Há algo além. Há algo adiante. E logo verei. Estou no lugar certo, esperando o nascer do sol.
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